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Perspectivas para o Mercado Imobiliário em 2021

A primeira pesquisa nacional do mercado imobiliário para o ano de 2021, mostra que frente aos resultados do último ano o setor deve permanecer aquecido, assim como o apetite do consumidor de imóveis.

41% dos 1,2 mil entrevistados com renda suficiente para comprar um imóvel ouvidos entre 28 de janeiro e 08 de fevereiro dizem ter a intenção de adquirir o bem dentro dos próximos dois anos. 10% deles, inclusive, já estão em busca ativa, ou seja, visitando unidades, stands ou entrando em contato com imobiliárias ou corretores. O porcentual é próximo do registrado antes da chegada do novo coronavírus ao Brasil, quando eles representavam 43% dos ouvidos pelo levantamento, realizado pela Brain Inteligência Estratégica.
 

A disponibilidade de crédito aliada aos juros ainda baixos é outro ponto que manterá o incentivo ao setor, uma vez que boa parte dos compradores têm nele o único meio para concretizar a venda. No ano passado, segundo o levantamento, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) destinou R$ 123,974 bilhões em créditos – montante 57% superior ao registrado em 2019 -, sendo pouco mais de R$ 70 bilhões para a compra de imóveis novos. Os recursos oriundos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), por sua vez, somaram R$ 33,3 bilhões, dos quais 92% foram utilizados na aquisição de unidades novas.


Não há dúvidas de que grande parte do sucesso de 2020 está atrelado com dois fatores: crédito imobiliário e a taxa de juros baixa. Eles estão impulsionando o mercado e irão continuar fazendo isso, pois nenhum analista, hoje, acredita em taxas acima de 3,5% no final do ano”, aponta Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da Brain. “Os juros devem subir este ano, mas ainda irão continuar absurdamente baixos”, completa

Outro aspecto que se soma ao tripé que fundamenta o cenário positivo previsto para 2021 é o da significativa baixa no estoque disponível no país, que registrou queda de 26% – principalmente em decorrência dos adiamentos de lançamentos previstos quando da chegada da pandemia ao Brasil, aliada à estabilidade das vendas no ano – passando de 188,8 mil unidades novas no quarto trimestres de 2019 para 139,4 mil no mesmo período de 2020.

“Se ninguém lançasse mais nada no final de 2020, a oferta vertical residencial nas [151] cidades acompanhadas pela Brain se escoaria em pouco mais de oito meses”, ilustra Marcos Kahtalian, também sócio-diretor da Brain.


Tipo De Imóvel

O sonho da casa própria, ou de uma maior ou melhor casa própria, segue como o grande motor do mercado imobiliário em 2021. 78% dos entrevistados ouvidos pela pesquisa disseram procurar unicamente um imóvel residencial para aquisição. Outros 16% mostraram-se favoráveis também à compra de unidades comerciais, sinalizando mais fortemente tratarem-se de investidores.

Para os especialistas, este não será um ano em que uma determinada tipologia de imóvel irá se sobressair às demais, como aconteceu com os compactos, em um passado próximo, por exemplo. Ao contrário disso, haverá uma pulverização do interesse do comprador, favorecida pela oferta de crédito para as diversas faixas de renda e de padrão dos imóveis.

“A compra da primeira moradia vai continuar acontecendo. Não apenas pelo FGTS, mas no próprio SBPE, pelas famílias de classe média que, hoje, moram de aluguel ou que estão se casando, formando uma nova família”, lista Kahtalian. Ele acrescenta, ainda, que a compra para up grade, que já foi elevada no ano passado, decorrente da maior vivência e percepção do lar e das novas necessidades por conta do isolamento social, também irão permanecer, assim como a aquisição do imóvel como estratégia de diversificação de investimentos.

“O mercado está controlado. É evidente que isso não elimina as preocupações macroeconômicas, de [manutenção de] empregos etc. Mas se entendermos que o juro é a peça fundamental do mercado imobiliário, mesmo fazendo uma previsão de incremento dele, dada a intenção de compra que é elevada pelas necessidades percebidas, teremos um ano auspicioso”, resume Kahtalian. “Esse é um ano que vai ter menos surpresas. Porque já sabemos que é uma pandemia. Ainda é muito grave, evidentemente, mas a gente já sabe como lidar com isso do ponto de vista tanto de gestão econômica quanto de tratamento, dos cuidados médicos, da vacinação. A gente já sabe trabalhar online, ou seja, tudo se naturalizou”, finaliza.

Fonte: Gazeta do Povo

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